quinta-feira, 6 de abril de 2017

Amar é caótico

O amor é um caos. Amar é caótico. Sentir é urgente! O tráfego intenso de olhares e palavras não ditas mostra que a essência se perde por medo. Tanto querer emudecido e atos não tidos. Viver por script é entediante, eu diria. É impossível enaltecer o previsível. Falta toque, gesto, loucura... Falta alma! Sim, alma sem corpo, sem cobertura, sem vestes. Falta alma nua, crua... Tua! Alma tocada à queima roupa, vulnerável, em carne viva. Falta não se importar em incomodar, enchendo a caixa de mensagens, ligando de madrugada, gritando o nome no portão, se instalando no subconsciente e invadindo os pensamentos, sem medo do porvir. O porvir é um detalhe, com gosto; hora amargo, hora doce. Mas quem se importa? O paladar é peculiar. Só sabe o sabor quem se arrisca. Presumo que viver seja mais que existir, por mais que os dois verbos sejam sinônimos. Existir é estar; viver é arriscar-se! É sentir à flor da pele, todos os dias, a adrenalina do incerto, do inseguro. É desejar o prazer de sentir o gosto do depois, vivendo, linha a linha, o instante.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Você é precipício.

Você é uma ruína daquelas que eu quero descobrir, mas não tenho coragem de chegar perto. É feito um arranha-céu convidativo, inaugurado no centro de uma grande cidade, com incontáveis andares, que me aguça a curiosidade de ir ao topo, mas desfaleço ao subir. Você é um barco em mar aberto, na tempestade, que me protege e, paralelamente, me amedronta pelo balanço. É feito uma piscina funda e aquecida, em dias frios, mas acontece que eu não sei nadar. Você é uma eterna antítese: é a certeza de que a dúvida existe. É som emudecido. Você é um beco sem saída. É o traçado de um labirinto, com linhas tênues, que variam da loucura à sanidade. Você é um campo minado.
Por um lado, você é o aglomerado de todos os meus medos. Por outro, é a projeção dos meus desejos mais insanos.
Você é como um quarto escuro, sem janelas e portas. Eu sou claustrofóbica.
Você é precipício. E eu tenho vertigem.